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Energia Transformadora!

Mexer com o que se gosta é realmente uma experiência transformadora. Não sei quanto a vocês, que leem estas linhas de sei lá onde ou quando e fazendo sei lá o que, mas eu a vida toda considerava trabalho como… Trabalho. Algo que, independente se eu gostava ou não, devia fazer. Algo que, querendo eu ou não querendo, deveria ser feito. E ponto.

Então aconteceu o narrado no último post (que pode ser lido clicando aqui) e, como um estopim queimando por inteiro e levando a faísca para dentro de uma inerte bomba, fui trabalhar no dia seguinte. A bomba continuou imóvel. Fiz o que deveria ser feito no trabalho e a única coisa que percebi naquele estranho dia cinzento — além do incômodo (des)colorido –, foi que havia alguma coisa diferente dentro de mim. Não sabia ainda, mas aquela bomba aparentemente não detonada já havia explodido. Internamente. Para dentro.

Implosão.

Vi que a alegria, a satisfação, a efusiva vibração interior que se apossava de mim ao relembrar a realização daquela obra — verdadeiro feito extraordinário / impensável possibilidade de outrora — era muito mais gratificante do que a gratificação a ser recebida no final daquele mesmo mês, de arrastados dias intermináveis e insones madrugadas curtíssimas.

Meu salário.

Claro, sempre ele… O dinheiro. Ganharia cédulas de papel que me permitiriam comprar coisas necessárias e também saldar as dívidas de uma vida consumidora de vida (nossa própria vida), para poder ficar tranquilo ao preencher outros tipos de cédulas, também de papel, que me trariam a valorosa satisfação interior. Vulgo, prazer. A imensurável alegria de conseguir concretizar sonhos.

Alegria

Tinha prazer escrevendo, lendo, criando. Conhecendo e compartilhando criações. Minhas e de colegas virtuais com a mesma paixão. Um nobre e avassalador sentimento em comum. A paixão pelas palavras; pela criação literária. Pelos livros.

Aprendi que tempo era uma questão de prioridade.

Então, se não havia outro jeito para conseguir realizar os desejos mais fortes que emanavam como gritos de dentro de minha alma criativa, sacrificaria algumas horas de descanso. Em outras palavras, dormiria menos. Tinha que trabalhar, pois tinha aluguel, comida, roupas, internet, cartões de crédito, operadoras de telefonia, mulher, cinema, baladas e… Livros. Sim; o papel moeda era necessário para a aquisição do papel livro.

De nove às dezenove não havia nada que pudesse fazer; era o pedaço de meu dia — e de mim — que estava vendido para o sistema. Aquela fatia de mim pertencia ao meu patrão. Depois, vinha o tempo destinado a… Patroa. Sim, casa e “patroa” levavam outro belo (beeem mais bonito) pedaço do meu dia. Desculpe… Disse dia? Não, já estamos de noite; tarde da noite. Entre vinte e duas e meia-noite, ficava a fatia dos demais afazeres e necessidades domésticos. Ok; meia-noite agora.

Vem pra cama, amor…?

Bem… Depende. Se fosse pra dormir, certamente que não. E aqui é que entra a extraordinária força de vontade. Decisória. Tá de conchinha? Tá com sono? Cansado? É, meu querido escritor… Força! Força e atenção para, cuidadosamente, sair do quarto sem fazer muito barulho e voltar para a sua mesa de trabalho. O seu verdadeiro trabalho… Mais do que isso: sua Missão.

Ou sina.

Escrever

Ame, ou deixe!

Ser um escritor não é escolha, mas um destino. E o destino de todo escritor é a folha — ou tela — em branco. Então vem a Missão: preenchê-la. E você já trabalhou o dia todo, pegou trânsito, foi para a academia (vamos pôr um pouco de ficção aqui, oras!), ao cinema, mercado, teve uma DR com a namorada porque você não lavou a louça de ontem… Enfim, uma lista infindável de acontecimentos (bons e ruins) e, agora, chega o momento mais esperado de todo o seu longo dia — que, inclusive, já acabou –, diante da folha/tela.

O seu momento.

Uma, duas, três, quatro horas… O fato é que o tempo passou a correr — mesmo! — em uma velocidade muito maior do que quando você estava sendo pago. E o paradoxo aqui é que estas são as horas de maior riqueza para você. Sua mente pode soltar-se e curtir o aguardado momento da liberdade; de realizar as viagens mais prazerosas e distantes, justamente quando seu corpo mais precisa de descanso. Um ir e vir sem partida nem chegada. Um delicioso gerúndio. Indo, vindo… Fluindo.

Mas não há desgaste. Pelo contrário… Uma energia transformadora parece percorrer todo o seu corpo, na mesma intensidade com que as palavras vão sendo desenhadas na folha ou digitadas num teclado. Como um êxtase, personagens e tramas vão surgindo em meio a uma névoa criativa que só termina quando a realidade passa a coabitar também naquele mundo, na forma de preocupação. Preocupação com o avançado das horas; muitas vezes delatado pelos primeiros raios de um novo dia. Preciosas horas de sono e descanso, sacrificadas em nome da arte. Mas o resultado está ali, na folha ou tela. Mais uma história nasceu. O sacrifício valeu a pena.

Pelo menos até o despertador tocar…

despertador


 

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