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O Grande Salto!

Sempre imaginamos um salto como aquele momento em que estamos praticamente voando. Geralmente, em câmera lenta… No imaginário coletivo, saltar é ir do ponto A para o ponto B em um movimento curvilíneo, ascendente e descendente, como este:  A_∩_B. Simples assim. Afinal, o que define um salto é exatamente tirar os dois pés do chão, não é verdade? É deixar a base; abandonar a estabilidade do solo. Lançar-se contra o poder da gravidade. Desafiar as leis estabelecidas.

Em poucas palavras: saltar é desestabilizar-se.

Podemos imaginar, inclusive, os instantes anteriores a um salto — A preparação, pegando certa distância do espaço a ser pulado; a corrida para aumentar a velocidade e longevidade do salto; a concentração, o pensamento já focado no outro lado (de lá) do abismo… Tudo isso pode ser facilmente visualizado pela grande maioria das pessoas quando vem à tona o verbo saltar. A ação de saltar. Poderíamos até dizer que (sempre) quem salta, salta sobre alguma coisa (ou alguém). Mesmo que esta coisa seja um abismo (e como é fácil imaginarmos a cena de alguém saltando sobre um abismo, na ausência de uma ponte, para atingir o outro lado).

O Grande Salto!

Contudo, ninguém nunca — jamais — imaginaria o tal ponto B (o outro lado do abismo) como sendo o ponto mais alto (e vertical) atingido por um simples pulo, por exemplo. Um mero pulo para o alto, tirando os dois pés do chão e, logo em seguida, voltando a pisar o mesmo ponto no solo. Isso não… Ninguém, de verdade, imaginaria este simples pulinho infantil para o alto como um verdadeiro “salto”.

ápice da altura atingida não poderia ser considerado como propriamente um destino (ou ponto) válido. Pois, se não existe base/firmamento lá no alto do “nada”, este não pode ser tratado como o tal ponto B, fundamental para que exista um salto. Certo? É apenas o momento da parada da subida (ápice) para, já no instante seguinte, dar-se o início da descida (queda).

…Certo?

Porém, quando tratamos de escritores, o “pulo no nada” deixa de ser apenas um pulo e, muito mais válido do que um grande salto sobre um abismo físico, o salto sobre si mesmo é o que o bom autor deve ao máximo aspirar. Como uma criança que roda sem parar sobre o próprio eixo. Roda, roda e roda apenas para experimentar novamente aquele inocente prazer de desestabilizar-se dentro de si mesma. Perder o chão, pisando no chão. Simplesmente girar com o intuito de, ao parar, tudo que era antes inerte a sua volta, paradoxalmente, ganhar movimento. Ganhar vida. Vida própria. Continuar… Modificar. Transformar a agora desconhecida realidade em infinitos círculos de possibilidades. Em outras palavras: a criança roda para criar uma nova realidade… Inovar, renovando-a.

O ponto A ganha então um nome: o seu. Você é o ponto A. Mas, a descoberta máxima, o Nirvana, a Iluminação vão um pouquinho mais além.

Já descobriu qual é o “ponto B” dos escritores, caro leitor?

Pois aqui vai a resposta. O ponto B é o próprio salto. É o ato de saltar. Não o salto para algum ponto do outro lado de um abismo, mas exatamente rumo ao próprio abismo; ao desconhecido. O verdadeiro salto, para um escritor, é o mergulho. É o salto para dentro. Trata-se de um profundo e destemido entranhamento num abismal oceano de emoções, vividas ou imaginadas, mas — sobretudo — vividamente desejadas.

É claro que saltar de um lado sem existir o outro é como suicidar-se. Por isso mesmo, a figura metafórica previamente utilizada, da criança rodando ou pulando para o alto, deve ser reanalisada. Ao girar, a criança permanece o tempo todo com os pés no chão. Assim como a criança que pula para cima que, vale observar, volta para o mesmo ponto de onde saiu.

Escrever, criar uma história, uma trama, um enredo, personagens, cenas, diálogos, descrições… É exatamente a mesma coisa. É sair de si mesmo (ponto A) rumo ao ponto B (o próprio salto ou o abismo), mas SEMPRE retornando para o ponto A. Caso contrário, você não será um escritor/autor, mas… Sim, um insano. E não pense, você que lê estas linhas, que tal débil destino seja incomum no reino das mentes mais criativas. Lembre-se de que genialidade e loucura estão separadas por uma muito tênue linha… Existem casos de escritores que não conseguiram retornar deste mergulho profundo, bem como outros que conseguiram retornar apenas em parte.

Personagens — principalmente de longas histórias, romances — tendem sempre a desafiar seus criadores e, em alguns casos, até mesmo os sequestrarem para seus fictícios mundos.

Um abismo é sempre um latente perigo…

Desse modo, é bom você se perguntar se é isso mesmo o que deseja para suas (insones) madrugadas. Escrever não é como dar um passeio no parque de diversões, pois nem a maior montanha russa do mundo (deste munto) conseguirá dar-lhe tamanhas sensações como as que você experimentará no criativo processo de escrita e produção de uma obra literária.

Sim, meu caro pretendente a escritor, saiba que sua sanidade estará em (grande) perigo. Mas… Quer saber de uma coisa? Para quem gosta disso…

Saltar vale muito a pena!

* * *

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